sábado, 30 de abril de 2022

Atividade 11 - Autoestima e Autocuidado


 

Atividade 10 - Criar um blog


 

Atividade 09 - Autoestima nas redes sociais


 

Atividade 08 - Autoconhecimento e redes sociais


 

Atividade 07 - Desconstruir preconceitos


 

Atividade 06 - Autoconhecimento e Subjetividade


 

Atividade 05 - Biografia e autoconhecimento


























































 

Atividade 04 - Linha do tempo


 

Atividade 03 - Quem sou eu?

 



        Essa atividade será ampliada e modificada. O estudante seguirá o roteiro entregue pelo professor fará conforme modelos inseridos abaixo. 













Atividade 02 - Como eu me vejo?

 

VAMOS PESQUISAR?

O QUE SÃO EMOÇÕES?

O que são emoções e sentimentos? Pedro Calabrez

Atividade 01 - Como posso me expressar?








VAMOS PESQUISAR?






Linguagem verbal e linguagem não verbal

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O negro, o pobre, o periférico e a escola.



Há algum tempo tenho tido a certeza que uma péssima educação pode ser a responsável pelo contínuo ciclo de pobreza. Sempre fui atento ao que estava ao meu redor e como garoto pobre (mas feliz) a pobreza me cercava. A escola (pública) para mim e todos os meus parceiros de meninice era o espaço de possibilidades. Estudar não era tão fácil como nos dias de hoje. Entrávamos no ensino fundamental aos sete/oito anos, precisávamos ter todo o uniforme[1], comprar os livros na livraria da praça visto que naquela época não existia o PNLD[2] e muitos materiais escolares. Lembro com muito saudosismo daquela época, apesar das grandes dificuldades de minha querida mãe em tentar manter seis filhos em idade escolar nos esforçávamos o máximo que podíamos para que ela se alegrasse da gente. Sempre estudei em escola pública e na maioria das vezes tive professores compromissados que contribuíram e muito na minha formação.

Mais de vinte anos se passaram daquela época. Há onze, sou professor em minha cidade e de lá para cá tenho acompanhado a mudanças dos tempos e das condições da educação básica (pública) por aqui. Vejo que a escola mudou muito. Os alunos não precisam mais ter todo o uniforme, ou melhor, o uniforme de agora é menos exigido do que nas décadas de 80 e 90. A escola doa livros, não cobra mais nenhum material de artes ou artesanato, e em muitos casos doa até cadernos, lápis e caneta. Quase todos os professores possuem formação específica na disciplina e ganham no mínimo o dobro do que os vencimentos dos mestres no passado. A diferença de alguns desses para muitos daqueles é o amor à profissão.

Analisando outros aspectos das escolas de “antes” e das escolas de “agora” vejo algo de muito perverso no ar. Nas escolas “antes” o filho do rico e do pobre estudavam juntos. Não tinha a variedades de escolas particulares e federais. Todos circulavam no mesmo espaço, interagíamos dentro e fora da sala de aula e era comum o convívio (quase) pacífico entre as classes sociais. Agora está tudo muito louco. Conseguimos estratificar a sociedade através das escolas. Nas três escolas de ensino fundamental (sede), podemos perceber um grande abismo social, educacional e estrutural na educação do nosso município. Numa escola apenas os selecionados, os melhores de todas as escolas, os filhos “das famílias perfeitas” e que não há espaço para os repetentes, distorcidos série/idade, deficientes e em pequena escala pobres, negros, ruralistas e suburbanos. Na outra, por uma década tem sido destinada “apenas” aos alunos ruralistas, periféricos, repetentes, distorcidos, “problemáticos” e membros de “famílias imperfeitas”. 

O problema não é este ou aquele público-alvo. O problema está principalmente que na escola “daqueles” há uma prática pedagógica diferenciada, uma estrutura mais adequada, e o resultado disso são alunos aprovados nas escolas federais e futuramente ingressos de universidades públicas estaduais/federais. Já na escola “destes” que eu vejo alguns dias da semana, sinto-me (acho que eles sentem também) que é uma “quase-prisão”. Um corredor de muitos metros de comprimento por menos de dois de largura e centenas de alunos se amontoando e se agredindo nos quinze minutos de intervalo. Prefiro não ver o que eles merendam (autodefesa) para não sofrer. Devo questionar porque em dez anos acredito que apenas uma aluna saiu de cá e foi para o IFBA. Será que não preparamos os alunos para realizar uma prova de admissão? Será que não estamos fingindo que estamos educando? Será que no fundo, no fundo os governantes não se importam se os alunos estão aprendendo? Acho que para a primeira pergunta, talvez e para a segunda pergunta a resposta é com certeza.

Então, se alunos, pais, professores e até o corpo administrativo sabem das muitas problemáticas da escola e do jeito que está não pode ficar, por que não tomamos uma providência drástica e melhoramos esta situação? A resposta eu já dei antes, porque nossos alunos são pobres, negros, ruralistas, periféricos, repetentes, distorcidos, “problemáticos” e de “famílias imperfeitas” e para todos estes ficou apenas o silêncio e a opressão.


[1] O uniforme escolar era calça jeans azul, camisa, meia e sapato-conga.
[2] O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) tem como principal a distribuição de coleções de livros didáticos aos alunos da educação básica.  O programa é executado em ciclos trienais alternados. Assim, a cada ano o MEC adquire e distribui livros para todos os alunos de um segmento, que pode ser: anos iniciais do ensino fundamental, anos finais do ensino fundamental ou ensino médio. À exceção dos livros consumíveis, os livros distribuídos deverão ser conservados e devolvidos para utilização por outros alunos nos anos subsequentes.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Meus oito anos...

Casimiro de Abreu

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.

Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;

O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !

Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar

O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha, irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava beira do mar!

Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar !

Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da, minha infância querida
Que os anos não trazem mais

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O vestido azul

O Vestido Azul
                  Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha
      muito bonita. Ela freqüentava a escola local. Sua mãe não tinha muito
      cuidado e a criança quase sempre se apresentava suja. Suas roupas eram
      muito velhas e maltratadas. O professor ficou penalizado com a situação da
      menina. "Como é que uma menina tão bonita, pode vir para a escola tão mal
      arrumada?".
               Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade,
      resolveu lhe comprar um vestido novo. Ela ficou linda no vestido azul.
               Quando a mãe viu a filha naquele lindo vestido azul, sentiu que
      era lamentável que sua filha, vestindo aquele traje novo, fosse tão suja
      para a escola. Por isso, passou a lhe dar banho todos os dias, pentear
      seus cabelos, cortar suas unhas.
               Quando acabou a semana, o pai falou: "mulher, você não acha uma
      vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more em um
      lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar a casa? Nas
      horas vagas, eu vou dar uma pintura nas paredes, consertar a cerca e
      plantar um jardim."
               Logo mais, a casa se destacava na pequena vila pela beleza das
      flores que enchiam o jardim, e o cuidado em todos os detalhes. Os vizinhos
      ficaram envergonhados por morar em barracos feios e resolveram também
      arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura e criatividade.
               Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado. Um homem, que
      acompanhava os esforços e as lutas daquela gente, pensou que eles bem
      mereciam um auxílio das autoridades. Foi ao prefeito expor suas idéias e
      saiu de lá com autorização para formar uma comissão para estudar os
      melhoramentos que seriam necessários ao bairro.
               A rua de barro e lama foi substituída por asfalto e calçadas de
      pedra. Os esgotos a céu aberto foram canalizados e o bairro ganhou ares de
      cidadania.
               E tudo começou com um vestido azul.
               Não era intenção daquele professor consertar toda a rua, nem
      criar um organismo que socorresse o bairro. Ele fez o que podia, deu a sua parte. Fez o primeiro movimento que acabou fazendo que outras pessoas se motivassem a lutar por melhorias.
               Será que cada um de nós está fazendo a sua parte no lugar em que
      vive?
               Por acaso somos daqueles que somente apontamos os buracos da rua,
      as crianças à solta sem escola e a violência do trânsito?
               Lembremos que é difícil mudar o estado total das coisas. Que é
      difícil limpar toda a rua, mas é fácil varrer a nossa calçada.
               É difícil reconstruir um planeta, mas é possível dar um vestido
      azul.
               Há moedas de amor que valem mais do que os tesouros bancários,
      quando endereçadas no momento próprio e com bondade.
                                                         
Autor Desconhecido

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Por Aldo Lisboa parafraseando Manuel Bandeira....


Recordando...


Quando ontem adormeci
Na noite de 2 fevereiro
Era Festa de São Brás
Festa do Padroeiro
Muitos fogos das novenas
Muita música para animar
O povo não parava de festejar.

No meio da noite despertei
Ouvi o barulho estridente de enxadas a me chamar
Era o desfile dos mascarados
O Zambiapunga começava a se apresentar.

Saí percorrendo toda a cidade
O beco da maré era só felicidade
Lá morava um dos mestres que com carinho e habilidade
Ensinava a todos com simplicidade.

Lá vi o mestre
O grupo a comandar
A tradição aprendida pelos antigos não se cansava de ensinar.

Os caretas assustavam as crianças com seu horror
O Zambiapunga também é nosso
Sim Senhor!

Vi o Terno de Reis, a Dondoca e a Chegança
Ainda era muito pequeno, uma criança
Quando conheci o folclore de Taperoá
Não pude deixar de admirar
Os cortejos abrilhantavam os festejos do lugar
 
Quando tinha nove anos
Não pude ver o fim da festa de São Brás
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Zé Pinto
Seu Edberto
Osmar Pinheiro
Zé Madeira
Biruta
Onde estão todos eles?

__ Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

(Texto adaptado do poema “Profundamente” de Manoel Bandeira)