O Blog será utilizado para publicar os planejamentos, propostas pedagógicas, atividades desenvolvidas, produção dos alunos e diversos materiais do componente Projeto de Vida do Colégio Estadual Estela Aleluia Guimarães sob a orientação do Prof. Me. Aldo Lisbôa de Carvalho.
sábado, 30 de abril de 2022
Atividade 03 - Quem sou eu?
Essa atividade será ampliada e modificada. O estudante seguirá o roteiro entregue pelo professor fará conforme modelos inseridos abaixo.
segunda-feira, 18 de abril de 2022
domingo, 17 de abril de 2022
segunda-feira, 27 de maio de 2013
O negro, o pobre, o periférico e a escola.
Há algum tempo tenho tido a certeza que uma
péssima educação pode ser a responsável pelo contínuo ciclo de pobreza. Sempre
fui atento ao que estava ao meu redor e como garoto pobre (mas feliz) a pobreza
me cercava. A escola (pública) para mim e todos os meus parceiros de meninice
era o espaço de possibilidades. Estudar não era tão fácil como nos dias de hoje.
Entrávamos no ensino fundamental aos sete/oito anos, precisávamos ter todo o
uniforme[1], comprar os livros na livraria
da praça visto que naquela época não existia o PNLD[2] e muitos materiais
escolares. Lembro com muito saudosismo daquela época, apesar das grandes
dificuldades de minha querida mãe em tentar manter seis filhos em idade escolar
nos esforçávamos o máximo que podíamos para que ela se alegrasse da gente.
Sempre estudei em escola pública e na maioria das vezes tive professores
compromissados que contribuíram e muito na minha formação.
Mais de vinte anos se passaram daquela época.
Há onze, sou professor em minha cidade e de lá para cá tenho acompanhado a
mudanças dos tempos e das condições da educação básica (pública) por aqui. Vejo
que a escola mudou muito. Os alunos não precisam mais ter todo o uniforme, ou
melhor, o uniforme de agora é menos exigido do que nas décadas de 80 e 90. A
escola doa livros, não cobra mais nenhum material de artes ou artesanato, e em muitos
casos doa até cadernos, lápis e caneta. Quase todos os professores possuem
formação específica na disciplina e ganham no mínimo o dobro do que os
vencimentos dos mestres no passado. A diferença de alguns desses para muitos daqueles
é o amor à profissão.
Analisando outros aspectos das escolas de “antes”
e das escolas de “agora” vejo algo de muito perverso no ar. Nas escolas “antes”
o filho do rico e do pobre estudavam juntos. Não tinha a variedades de escolas
particulares e federais. Todos circulavam no mesmo espaço, interagíamos dentro
e fora da sala de aula e era comum o convívio (quase) pacífico entre as classes
sociais. Agora está tudo muito louco. Conseguimos estratificar a sociedade
através das escolas. Nas três escolas de ensino fundamental (sede), podemos
perceber um grande abismo social, educacional e estrutural na educação do nosso
município. Numa escola apenas os selecionados, os melhores de todas as escolas,
os filhos “das famílias perfeitas” e que não há espaço para os repetentes,
distorcidos série/idade, deficientes e em pequena escala pobres, negros,
ruralistas e suburbanos. Na outra, por uma década tem sido destinada “apenas” aos
alunos ruralistas, periféricos, repetentes, distorcidos, “problemáticos” e membros
de “famílias imperfeitas”.
O problema não é este ou aquele público-alvo.
O problema está principalmente que na escola “daqueles” há uma prática
pedagógica diferenciada, uma estrutura mais adequada, e o resultado disso são
alunos aprovados nas escolas federais e futuramente ingressos de universidades
públicas estaduais/federais. Já na escola “destes” que eu vejo alguns dias da
semana, sinto-me (acho que eles sentem também) que é uma “quase-prisão”. Um
corredor de muitos metros de comprimento por menos de dois de largura e centenas
de alunos se amontoando e se agredindo nos quinze minutos de intervalo. Prefiro
não ver o que eles merendam (autodefesa) para não sofrer. Devo questionar
porque em dez anos acredito que apenas uma aluna saiu de cá e foi para o IFBA.
Será que não preparamos os alunos para realizar uma prova de admissão? Será que
não estamos fingindo que estamos educando? Será que no fundo, no fundo os
governantes não se importam se os alunos estão aprendendo? Acho que para a
primeira pergunta, talvez e para a segunda pergunta a resposta é com certeza.
Então, se alunos, pais, professores e até o
corpo administrativo sabem das muitas problemáticas da escola e do jeito que
está não pode ficar, por que não tomamos uma providência drástica e melhoramos
esta situação? A resposta eu já dei antes, porque nossos alunos são pobres, negros,
ruralistas, periféricos, repetentes, distorcidos, “problemáticos” e de “famílias
imperfeitas” e para todos estes ficou apenas o silêncio e a opressão.
[1] O uniforme escolar era
calça jeans azul, camisa, meia e sapato-conga.
[2] O Programa Nacional do Livro Didático
(PNLD) tem como principal a distribuição de coleções de livros didáticos aos
alunos da educação básica. O programa é
executado em ciclos trienais alternados. Assim, a cada ano o MEC adquire e
distribui livros para todos os alunos de um segmento, que pode ser: anos
iniciais do ensino fundamental, anos finais do ensino fundamental ou ensino
médio. À exceção dos livros consumíveis, os livros distribuídos deverão ser
conservados e devolvidos para utilização por outros alunos nos anos
subsequentes.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Meus oito anos...
Casimiro de Abreu
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.
Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;
O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !
Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar
O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha, irmã !
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava beira do mar!
Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar !
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da, minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
O vestido azul
O Vestido Azul
Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha
muito bonita. Ela freqüentava a escola local. Sua mãe não tinha muito
cuidado e a criança quase sempre se apresentava suja. Suas roupas eram
muito velhas e maltratadas. O professor ficou penalizado com a situação da
menina. "Como é que uma menina tão bonita, pode vir para a escola tão mal
arrumada?".
Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade,
resolveu lhe comprar um vestido novo. Ela ficou linda no vestido azul.
Quando a mãe viu a filha naquele lindo vestido azul, sentiu que
era lamentável que sua filha, vestindo aquele traje novo, fosse tão suja
para a escola. Por isso, passou a lhe dar banho todos os dias, pentear
seus cabelos, cortar suas unhas.
Quando acabou a semana, o pai falou: "mulher, você não acha uma
vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more em um
lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar a casa? Nas
horas vagas, eu vou dar uma pintura nas paredes, consertar a cerca e
plantar um jardim."
Logo mais, a casa se destacava na pequena vila pela beleza das
flores que enchiam o jardim, e o cuidado em todos os detalhes. Os vizinhos
ficaram envergonhados por morar em barracos feios e resolveram também
arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura e criatividade.
Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado. Um homem, que
acompanhava os esforços e as lutas daquela gente, pensou que eles bem
mereciam um auxílio das autoridades. Foi ao prefeito expor suas idéias e
saiu de lá com autorização para formar uma comissão para estudar os
melhoramentos que seriam necessários ao bairro.
A rua de barro e lama foi substituída por asfalto e calçadas de
pedra. Os esgotos a céu aberto foram canalizados e o bairro ganhou ares de
cidadania.
E tudo começou com um vestido azul.
Não era intenção daquele professor consertar toda a rua, nem
criar um organismo que socorresse o bairro. Ele fez o que podia, deu a sua parte. Fez o primeiro movimento que acabou fazendo que outras pessoas se motivassem a lutar por melhorias.
Será que cada um de nós está fazendo a sua parte no lugar em que
vive?
Por acaso somos daqueles que somente apontamos os buracos da rua,
as crianças à solta sem escola e a violência do trânsito?
Lembremos que é difícil mudar o estado total das coisas. Que é
difícil limpar toda a rua, mas é fácil varrer a nossa calçada.
É difícil reconstruir um planeta, mas é possível dar um vestido
azul.
Há moedas de amor que valem mais do que os tesouros bancários,
quando endereçadas no momento próprio e com bondade.
muito bonita. Ela freqüentava a escola local. Sua mãe não tinha muito
cuidado e a criança quase sempre se apresentava suja. Suas roupas eram
muito velhas e maltratadas. O professor ficou penalizado com a situação da
menina. "Como é que uma menina tão bonita, pode vir para a escola tão mal
arrumada?".
Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade,
resolveu lhe comprar um vestido novo. Ela ficou linda no vestido azul.
Quando a mãe viu a filha naquele lindo vestido azul, sentiu que
era lamentável que sua filha, vestindo aquele traje novo, fosse tão suja
para a escola. Por isso, passou a lhe dar banho todos os dias, pentear
seus cabelos, cortar suas unhas.
Quando acabou a semana, o pai falou: "mulher, você não acha uma
vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more em um
lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar a casa? Nas
horas vagas, eu vou dar uma pintura nas paredes, consertar a cerca e
plantar um jardim."
Logo mais, a casa se destacava na pequena vila pela beleza das
flores que enchiam o jardim, e o cuidado em todos os detalhes. Os vizinhos
ficaram envergonhados por morar em barracos feios e resolveram também
arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura e criatividade.
Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado. Um homem, que
acompanhava os esforços e as lutas daquela gente, pensou que eles bem
mereciam um auxílio das autoridades. Foi ao prefeito expor suas idéias e
saiu de lá com autorização para formar uma comissão para estudar os
melhoramentos que seriam necessários ao bairro.
A rua de barro e lama foi substituída por asfalto e calçadas de
pedra. Os esgotos a céu aberto foram canalizados e o bairro ganhou ares de
cidadania.
E tudo começou com um vestido azul.
Não era intenção daquele professor consertar toda a rua, nem
criar um organismo que socorresse o bairro. Ele fez o que podia, deu a sua parte. Fez o primeiro movimento que acabou fazendo que outras pessoas se motivassem a lutar por melhorias.
Será que cada um de nós está fazendo a sua parte no lugar em que
vive?
Por acaso somos daqueles que somente apontamos os buracos da rua,
as crianças à solta sem escola e a violência do trânsito?
Lembremos que é difícil mudar o estado total das coisas. Que é
difícil limpar toda a rua, mas é fácil varrer a nossa calçada.
É difícil reconstruir um planeta, mas é possível dar um vestido
azul.
Há moedas de amor que valem mais do que os tesouros bancários,
quando endereçadas no momento próprio e com bondade.
Autor Desconhecido
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Por Aldo Lisboa parafraseando Manuel Bandeira....
Recordando...
Quando ontem adormeci
Na noite de 2 fevereiro
Era Festa de São Brás
Festa do Padroeiro
Muitos fogos das novenas
Muita música para animar
O povo não parava de festejar.
No meio da noite despertei
Ouvi o barulho estridente de enxadas a me chamar
Era o desfile dos mascarados
O Zambiapunga começava a se apresentar.
Saí percorrendo toda a cidade
O beco da maré era só felicidade
Lá morava um dos mestres que com carinho e habilidade
Ensinava a todos com simplicidade.
Lá vi o mestre
O grupo a comandar
A tradição aprendida pelos antigos não se cansava de ensinar.
Os caretas assustavam as crianças com seu horror
O Zambiapunga também é nosso
Sim Senhor!
Vi o Terno de Reis, a Dondoca e a Chegança
Ainda era muito pequeno, uma criança
Quando conheci o folclore de Taperoá
Não pude deixar de admirar
Os cortejos abrilhantavam os festejos do lugar
Quando tinha nove anos
Não pude ver o fim da festa de São Brás
Porque adormeci
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Zé Pinto
Seu Edberto
Osmar Pinheiro
Zé Madeira
Biruta
Onde estão todos eles?
__ Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
(Texto adaptado do poema “Profundamente” de Manoel Bandeira)
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